Parada LGBT+ com o tema: A rua convoca, a urna confirma!
Esse foi o tema escolhido para comemorar os 30 anos da Parada LGBT+ de São Paulo, evento em mês histórico de mobilização e luta que acontecerá no dia 7 de junho na av. Paulista em São Paulo.
Meses antes, o ativista e motoboy, Galo, participou de um podcast onde expressou sua indignação – utilizando termos reducionistas e LGBTfóbicos – sobre a intersecção da luta de classes e LGBT+. O que nos coloca para refletir: que rua te convoca? A Faria Lima? A Praça da República? A Avenida Paulista? A rua onde os motoboys lutam pelos seus direitos? Ou a rua onde 90% da população trans é obrigada a viver da prostituição? Se é na concepção de trabalho formal, ocupamos cerca de 4,5% das vagas. Quando falamos da população trans, o número cai para 0,38%. Nem a rua ocupamos plenamente ainda, a sociedade nos empurra para o esgoto.
As pessoas se identificarem como LGBT no espaço de trabalho é um acontecimento recente, dos últimos 30 anos, que ainda carrega estigmas, mas na luta, sempre estaremos juntos. Afinal, retirar a identidade e prazeres da classe trabalhadora é estratégia capitalista para aumentar o lucro. Nesse sentido, Galo trata os trabalhadores como massas amorfas, o pobre trabalhador hipotético, sem tempo, capacidade e disposição de aprender, apenas reforça um discurso conservador e soberbo, como se ele fosse porta-voz da verdade de uma classe. Existem muitos entregadores cis-héteros, que no tempo livre fazem sexo anal com suas companheiras, ativos ou passivos, onde que uma coisa exclui a outra? A única coerência nesse discurso é o preconceito.
Quando a rua convoca, seja pelos direitos da classe, seja pelos direitos LGBT+, das mulheres, raciais, entre outros, a nossa luta é mais forte quando coletiva. Huey P. Newton, cofundador dos Panteras Negras, em discurso histórico, disse que:
“[…] sabemos que a homossexualidade é um fato que existe, e devemos entendê-la em sua forma mais pura, ou seja, uma pessoa deve ter a liberdade de usar seu corpo da maneira que quiser. […] Isso não implica em endossar coisas na homossexualidade que nós não vemos como revolucionárias. Mas não há nada para dizer que um homossexual não pode também ser um revolucionário. E talvez eu esteja agora inserindo um pouco do meu preconceito, dizendo que ‘mesmo um homossexual pode ser um revolucionário.’ Muito pelo contrário, talvez um homossexual possa ser o mais revolucionário. […] Devemos ser cuidadosos acerca do uso desses termos que possam afastar nossos potenciais aliados. Os homossexuais não são inimigos do povo.”
Apesar do anacronismo, como isso se reflete na política institucional? A direita cria um pânico moral em cima de um inimigo imaginário para avançar nos seus projetos neoliberais. Medos fabricados, por exemplo, pessoas trans no banheiro correspondente à sua identidade e o PL da misoginia, enquanto cerca de 60% dos agressores sexuais contra menores são familiares próximos e 70% das agressões acontecem no ambiente doméstico, não envolvendo pessoas trans como agressoras e, em partes dos casos, como vítimas, em forma de “estupro corretivo”.

