>> 25 de julho: Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha

Foi um dia fundado para combater o racismo e promover políticas públicas para mulheres negras. No Brasil, chamamos o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra (sancionado pela Lei nº 12.987/2014). Tereza foi uma importante líder quilombola do século XVI que resistiu à escravidão. Devido a essa data, o mês todo é marcado pelo movimento conhecido como Julho das Pretas, que promove agendas conjuntas de conscientização em todo o país.

A narrativa histórica dominante — marcada por uma perspectiva branca, burguesa e elitista — silenciou por muito tempo a resistência das mulheres negras, como se sua trajetória tivesse início apenas na escravidão e fosse restrita à subalternidade e à servidão. Essa visão é equivocada. Desde sempre, mulheres negras, sobretudo aquelas inseridas nos setores mais explorados da classe trabalhadora, enfrentaram seus opressores e lutaram por dignidade. Hoje, elas ainda figuram entre as maiores vítimas da violência: representam 67% dos casos de assassinato, 62% das ocorrências de violência sexual e 65% dos episódios de violência doméstica.

No mundo do trabalho, as desigualdades persistem. Mulheres negras recebem, em média, metade do salário dos homens brancos, enfrentam índices mais altos de desemprego e continuam concentradas em ocupações ligadas ao serviço doméstico.

Julho das Pretas

No Metrô, as Mulheres Negras aparecem em contexto contraditório, pois, entre as metroviárias efetivas, encontramos um percentual muito pequeno de negras, mas quando olhamos para os setores terceirizados – como limpeza, segurança patrimonial, bilheteria – estão em grande maioria e com salários rebaixados.

Nesse contexto, o Julho das Pretas deve ser entendido como um chamado à emancipação da mulher negra trabalhadora, rompendo com as correntes da opressão e da exploração. Essa luta não é isolada: integra o movimento mais amplo pela libertação da classe trabalhadora e pela superação das estruturas do capitalismo.

Por isso que o Sindicato dos/das Metroviários/as deve estar à frente nessa luta, pela efetivação das empregadas terceirizadas como efetivas; salário igual para trabalho igual; por mais concurso publico priorizando o acesso às mulheres e negras; e, principalmente, contra a privatização, que só precariza o serviço e o nosso trabalho!

A secretaria de Combate à discriminação racial do Sindicato está à disposição da categoria para promover ações coletivas de conscientização e diálogo com a categoria acerca do tema, além de ser atuante no combate ao racismo junto a categoria e aos demais movimentos.